12/5/2016 15:40:00 -  Previna-se contra o câncer de colo do útero

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa mais comum de morte de mulheres por câncer no Brasil. São estimados 16.340 novos casos da doença em 2016, com um risco estimado de 15,85 casos a cada 100 mil mulheres. Até 2030, esse número de novos casos deve aumentar para 435 mil. 

Nesse cenário, o exame de Papanicolau é de grande importância, principalmente para detectar precocemente as lesões que precedem o câncer de colo do útero (displasias) e indicar o melhor tratamento antes do seu desenvolvimento. Esse teste também pode detectar alterações que indicam a presença nas células do HPV (vírus do papiloma humano), o mais importante agente causador do câncer do colo uterino.

Segundo o médico patologista e membro da SBP, Victor Piana, o teste de Papanicolau conseguiu reduzir a mortalidade por câncer de colo uterino na população em todos os países onde foi implantado. “O câncer de colo uterino só não foi eliminado por completo por fatores como falta de comparecimento das mulheres para a realização do exame, altas taxas de infecção e reinfecção das mulheres pelo vírus HPV e as falhas na atenção à saúde, uma vez detectadas as lesões pré-neoplásicas”, conta.

O especialista, que também atua como diretor médico do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, ainda aponta que o teste de Papanicolau deve ser realizado pelo menos uma vez por ano, por todas as mulheres desde o começo da atividade sexual, até os 70 anos. Entretanto, mulheres que combinem parceiro sexual fixo e três resultados negativos em três anos consecutivos ou pesquisa molecular negativa para o vírus HPV podem passar a colher o teste com intervalos maiores, como a cada três anos.

O exame é simples, rápido e pode no máximo provocar um pequeno incômodo. Ele é realizado com a coleta de um raspado de células que revestem a superfície do colo uterino. Essas células são examinadas no microscópio pelo médico patologista ou sob sua supervisão para checar se há alguma alteração.

É esse especialista que realiza o trabalho quase artesanal de observar as amostras coletadas em um microscópio. Diferentemente dos exames laboratoriais automatizados, ele precisa comparar o que vê com anos de prática e conhecimento acumulados para verificar se as células representam displasias de baixo ou alto grau. Cada lesão encontrada tem uma conduta ginecológica padronizada no sentido de evitar a progressão para o câncer propriamente dito.

Como o câncer de colo do útero tem como principal agente causador o HPV, transmitido por relações sexuais, os cuidados para outras DSTs são todos úteis também nesta prevenção. Também foi dado início à estratégia de vacinação contra o HPV, buscando imunizar adolescentes do sexo feminino e masculino antes que comecem a vida sexual como uma medida preventiva.  “O uso do da vacina se iniciou há poucos anos e não há ainda resultados definitivos sobre sua eficácia, mas as expectativas são muito otimistas”, finaliza o patologista.

 

Fonte: Dr. Victor Piana de Andrade – patologista e diretor médico do A.C. Camargo Cancer Center.


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